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23 JULHO 2013 - 00:01 - Cultura
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Guilherme Kneipp: um cara inquieto que ama seu violão

Abra o "livro" e conheça o som do cantor e compositor capixaba  

Por: Leonardo Vais

KNEIPP

“Eu posso desenhar e colorir meus sonhos. À mão. De dentro pra fora. Sem metáforas. Um dia eu encontro a forma literal disso. Na literatura que o destino ofertar. Na canção que o vento soprar.”
Guilherme Kneipp

Prólogo

Poesia é a forma de imprimir um novo significado aos sentimentos, utilizando as palavras para descrever a beleza de emoções tão diferentes como, por exemplo,  o amor e a tristeza. A arte de transformar em versos as reações mais distintas, desperta paixão em muita gente. Algumas pessoas conseguem unir a poesia com outra arte: a música. Guilherme Kneipp pode ser considerado um trovador contemporâneo ao fazer a conexão das duas artes no seu trabalho, mas ele é um músico, um cantor e um compositor que - com sensibilidade - transforma suas letras em som.

“Foi um presente descobrir que eu podia usar essas duas forças [música e literatura] dentro de um mesmo pacote sonoro/poético, por se tratar de algo que eu sempre busquei. A literatura serve de atalho pra se chegar a algo que você talvez demore uma vida inteira pra descobrir.”

Capítulo 1
A insustentável leveza do amor

Literatura & Música

kneippEsse livro do Milan Kundera - A insustentável leveza do ser - ofertou, de forma indireta, meu despertar pra ambivalência do amor. E eu digo no âmbito filosófico de sentir e entender. Não que eu tenha entendido tudo ou qualquer coisa. O que eu sei é que muito do que pensamos compreender é fruto de uma análise superficial até que venha um estalo de consciência, na coincidência de um livro certo, na hora certa, te mostrando o quanto você estava equivocado. Mas, até isso pode ser efêmero.

O amor talvez seja o próprio “ser”.


Baixe o CD
 "
A insustentável leveza do amor" clicando AQUI

Meu primo sempre diz que “somos mais amor do que qualquer outra coisa”. Estou cada dia mais convencido disso. É algo que pode ir do nascimento de uma criança ao término de um relacionamento. A singeleza de um balão pode ter mais força que a gravidade. Um sentimento platônico pode ser melhor que algo correspondido. Uma amizade pode ter os dois lados. Sua relação com autocrítica e autoestima, também. Tudo isso faz você dialogar consigo mesmo, te ajudando a perceber que estamos o tempo inteiro em uma corda bamba entre o claro e o escuro. Dia e madrugada. Felicidade e tristeza. Fim e recomeço. Peso e leveza. Sempre duas extremidades unidas pelo fio da vida.

Foi um presente descobrir que eu podia usar essas duas forças dentro de um mesmo pacote sonoro/poético, por se tratar de algo que eu sempre busquei. A literatura serve de atalho pra se chegar a algo que você talvez demore uma vida inteira pra descobrir. 

Processo de criação

Comigo é quase sempre o ato de colocar pra fora algum tipo de sentimento que quer ser externado a todo custo. E, depois, a busca por preencher o espaço vago por canções puras. Como um ciclo íntimo pulsando. Não sei em que ponto da minha vida isso se tornou tão necessário.

No caso desse disco o conceito apontou a direção.

Acontecimentos também trilham o caminho a ser seguido. Com o nascimento da minha sobrinha revi a filmografia do Chaplin, passei a observar crianças brincando, caixinhas de música... Resgatei algumas lembranças, buscando o singelo. Assisti muitas animações, tentando absorver o máximo de tudo. Sem perceber as canções foram saindo naturalmente e o lado A ficou pronto. Um processo lúdico tranquilo e alegre.

Da mesma forma que penso que tudo deve ser sentido, se Van Gogh cortou a orelha ele deve ter tido seus motivos. E eu não vou questionar um gênio. Posso tentar entendê-lo, mesmo que sem sucesso algum. Mesmo que ele esteja anos-luz à frente da minha capacidade. O que eu consigo perceber claramente é que quando é de verdade, a verdade chega até o outro. Mesmo que ninguém saiba o que tem por trás daquela canção de 3 ou 4 minutos, rola um despertar diferente dos sentidos.

Às vezes o processo é de extrema entrega a ponto de demorar algum tempo pra recuperar corpo e mente. O lado B do “Insustentável” tem canções que até hoje tenho dificuldade em executar ou simplesmente ler a letra. A canção “Frases Para Colocar no Romance” me causa medo, mas também satisfação por ter conseguido colocá-la pra fora. Caso contrário, o que eu faria com aquilo dentro de mim? Quando vira música é ótimo. O problema é quando está dentro.

Estou falando de um conceito que eu criei. Esse é o meu processo.

A vida por muitas vezes é monótona, então busco sensações novas o tempo inteiro. Sentimentos inesperados, sem filtro, apenas me permitindo. E se eu tenho a pretensão de buscar o máximo nesse aspecto, é natural que tenha um preço a pagar. Eu ainda me questiono o custo benefício ou o que é mais importante. Talvez eu encontre um livro novo... Como ainda não tenho resposta, no momento tenho optado por me preservar, me cercando de tranquilidade e canções fáceis.

Estou compondo um disco diurno onde os arranjos vão girar em torno do ukulele e do vento. A única coisa que faço pra encontrar essas canções é ir à praia.

Capítulo 2

Novos trabalhos

03O primeiro (CD), 27: Amor, Flagelo e Poesia, é um emaranhado de canções que acumulei desde que comecei essa aventura de ser compositor. Me inspirei no Álbum Branco dos Beatles, meu favorito deles, aliás. É um disco conceitual e ao mesmo tempo sem critério. Que dá liberdade sonora, podendo agregar vários estilos dentro de uma mesma identidade. E se fugir, também não há problema. Meu primeiro disco é introspectivo e quase todo acústico. Nesse novo projeto eu posso vomitar meus gritos, distorcer guitarras e pesar a bateria. São 3 EPs, cada um com 7 músicas e 2 vinhetas, totalizando 27 faixas. E é uma alusão ao clássico “Sexo, Drogas e Rock and Roll”. Acabei de completar 27 anos e as coisas andam se reorganizando de forma estranha na minha cabeça. Deve ser Saturno retornando. Esse disco contém os fragmentos desse processo.

O segundo, Voragem, é um trabalho com meu primo Lionel Braga. Essa relação com família é engraçada. A gente roda, roda, roda e sempre acaba se juntando. É um carma bom. Nesse projeto a gente reúne composições da família inteira. Somos 4 primos compositores e tem dedo de todo mundo ali. Tá ficando muito bonito. Meu papel principal é interpretar as canções. Tem sido uma ótima experiência e o resultado tem nos dado muito orgulho. Tudo muito bem arranjado. Cantar as músicas deles é como cantar minhas próprias ideias. Uma identificação de sangue que não dá pra fugir. Tem bossa, rock, balada, sons que a gente ainda não conseguiu definir... No geral, algo bem alto astral, com pitadas de realidade.

Capítulo 3

Novas tecnologias, downloads, direitos autorais e um pouco mais

Minha bagagem musical está diretamente relacionada ao compartilhamento de arquivos na web. Eu baixo música desde o surgimento do Napster. Qualquer discurso contra que eu fizer será de extrema hipocrisia da minha parte. Eu sou suspeito pra falar, mas me admiro em ver que ainda estão tentando brigar contra algo sem volta. Minha visão ainda é ingênua e pouco mercantilista. Penso que quando tudo vira comércio a arte é a que mais sai perdendo.

Eu me compadeço, sim, pelos compositores que sempre viveram exclusivamente dos direitos autorais. Mas não dá pra ir contra. A internet é muito maior. É uma luta de proporções absurdamente desiguais. Várias formiguinhas contra um deus que não tem nenhuma piedade de quem compôs uma música de sucesso na década de 70. A internet não teve dó de grandes multinacionais, quem dirá deles. Eles cabem na web, a web não cabe neles. Eles cabem no Brasil. Deviam colocar o violão nas costas e partir pra selva. Com isso, tudo pode se tornar mais interessante.

Como iniciante, ainda tenho uma visão romântica em torno do assunto. Enxergo a internet como uma grande biblioteca virtual e permanente. Daqui cem anos ela ainda estará aí e um neto meu poderá assistir aos meus vídeos no Youtube.

Quem sabe ele não dirá, com gírias atualizadas: “pô, vovô fazia umas músicas da hora”. Se ele aprender um instrumento e tirar alguma música minha, estará realizando um sonho de um século atrás. Eu vejo muito mais beleza nisso que nessa discussão de quem paga e quem recebe.

Divulgação

Sou extremamente tímido e desorganizado. Tenho procurado me cercar de pessoas que me ajudem nisso.

A Grande Vitória é pequena e a população provinciana. Tão provinciana que é bem capaz de se ofenderem ao ler isso. Mas é verdade. Enquanto os pais ligam para o disque-silêncio, os filhos estão indo em shows de axé e sertanejo nos pavilhões e praças cercadas. Isso torna impossível a existência de uma cena underground que vibre. O pouco público que sobra está disperso e oprimido.

Vejo artistas excelentes desprendendo muito esforço pra divulgar suas obras sem obter grandes resultados. Tenho trabalhado em silêncio, analisando de fora o que dá certo e o que não dá, sempre com pouca esperança de encontrar o tiro certeiro pra sobreviver aqui dentro sem ter que recorrer a barzinhos que roubam o couvert do músico.

Por isso decidi aumentar meu portfólio. Vou abraçar e concluir vários projetos pra, assim, aumentar o alcance das minhas músicas. Vou tratá-las bem pra que cheguem bem ao ouvido das pessoas. Sem me subverter. Esse é meu foco hoje. Diversificar e dividir em conceitos tudo que está engavetado.

Acabamos de concluir o projeto Voragem, então vamos sentar e conversar pra traçarmos planos e metas. Em se tratando de uma banda, faz-se necessário e, pra mim, será mais que saudável.

Capítulo 4

Influências daqui e de lá

A Tropicália e os Beatles se mostram na minha falta de padrão na hora de compor. São minhas influências principais, sem dúvidas.

Estou viciado em um DJ belga chamado ProleteR. Ele mistura jazz clássico, batidas eletrônicas, hip-hop e uns poucos instrumentos. Tudo de forma bem enxuta, chegando a uma estética sensacional.

Mas nunca deixo de ouvir Joanna Newsom, Andrew Bird, Of Montreal, CocoRosie, Sigur Rós, Billie Holiday, Sondre Lerche, Damien Rice...

Sérgio Sampaio, Velho Scotch, Solana, Roberto Carlos, Pélico, Zeca Baleiro, Chico César, Lenine, Tom Jobim, Mundo Livre S.A., Otto, Cordel do Fogo Encantado, Los Hermanos, Mombojó...

Epílogo

02

Como você descreveria sua música?
Canções de um cara inquieto que ama seu violão acima de qualquer coisa

.... Morar perto do mar influencia na hora de compor?
É o soprar do vento. 

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