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05 FEVEREIRO 2017 00:00 Cidades
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Sem policiamento, ES vive insegurança nas ruas desde sexta (3)

Foram mais de 50 mortes registradas nesses três dias de manifestação. Os familiares pedem valorização. E o Sou ES pede por paz. 

Por: Isabella Mariano

pmes

Desde sexta-feira (3), as cidades da Grande Vitória estão passando por uma situação de insegurança devido ao protesto iniciado pelos familiares dos Policiais Militares do Espírito Santo (PMES). Segundo o Sindicato dos Policiais Civis do ES (Sindipol/ES), foram mais de 50 mortes registradas nesses três dias de manifestação. Assaltos e arrastões vêm sendo registrados em diversos pontos de Vitória, da Serra e de Guarapari.

Paralização de serviços

Na capital, o retorno às aulas da rede municipal de ensino que aconteceria nesta segunda (6) foi adiado, bem como o serviço nas unidades de saúde e o expediente na prefeitura suspensos. Os bancos também se encontram fechados. Além disso, a partir das 16 horas desta segunda (6), o sistema de transporte urbano da Grande Vitória será paralisado, por motivo “exclusivamente de segurança e preservação da vida dos trabalhadores”, segundo o Sindirrodoviários/ES. Muitas lojas também estão fechadas devido a insegurança instalada.

Movimento inconstitucional

Os familiares protestam por melhores salários e por maior valorização dos policiais militares. Apesar de não se configurar como greve, já que a manifestação é liderada pela família dos policiais, o secretário estadual de Segurança Pública, André Garcia, afirma que foi deferida uma liminar declarando a ilegalidade do movimento. Foi pedido ainda a desobstrução de todos os quarteis militares para que possam realizar o policiamento das ruas. É importante lembrar que a Constituição Federal proíbe a greve por parte dos militares (Art. 142, inciso IV). E diz ainda que "em caso de greve em atividade essencial, com possibilidade de lesão do interesse público, o Ministério Público do Trabalho poderá ajuizar dissídio coletivo, competindo à Justiça do Trabalho decidir o conflito" (Art.  114). Enquanto isso, o Sou ES pede apenas por paz. 

paz

Medidas tomadas pelo governo

Devido à situação de insegurança, já que os policiais militares não estão atendendo ocorrências, nem mesmo realizando o patrulhamento nas ruas, foi feita a substituição do comando geral da PMES e quem assumiu agora foi o Coronel Nilton Rodrigues. Outra medida tomada foi a solicitação da vinda das forças armadas ao estado que já foi confirmada.

“Negociamos a vinda das forças armadas e da força nacional de segurança com os ministros da defesa e da justiça e agora estamos ultimando o procedimento para que essas forças sejam imediatamente disponibilizadas para o estado do Espírito Santo", disse o secretário André Garcia em vídeo oficial.

O que as famílias querem?

Polyana Santana, esposa de um policial militar, está presente no protesto realizado em Jardim Camburi, Vitória. Ela conta que o principal motivo para as manifestações é a falta de reconhecimento do ofício dos policiais por parte da população. “Vendo meu marido, o pior é a falta de apoio da população, a falta de reconhecimento. Você vê a população por aí linchando bandido e acham bonito. Mas se o PM atira por legítima defesa responde judicialmente, tiram a arma dele e ele fica sem proteção. Acho que é uma profissão que não tem reconhecimento não só financeiramente, mas também por parte da sociedade. O policial é visto de forma negativa. Acho que os únicos que entendem o PM é a família”, conta.

pmes Familiares de policiais continuam em protesto no Batalhão da Polícia Militar em Jardim Camburi 

Ela afirma que as próprias famílias dos policiais estão sem segurança nesse momento, mas diz que a situação já estava insustentável. “Tudo isso de uma forma ou outra se reverte para população com um serviço de má qualidade. O policial não tem equipamento de qualidade, não tem segurança, a arma dele é inferior a dos bandidos. Sem contar que os policiais não recebem beneficio nenhum, nem de alimentação, nem de saúde. Pelo que eu observo, as pessoas estão dizendo que o movimento só começou, porque agora as famílias se uniram. O protesto deve acabar assim que tiver pelo menos uma conversa com o governo e uma valorização por parte da sociedade”, pontua Polyana. 

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