Login

Fechar

Esqueceu a senha?

Fechar

27 FEVEREIRO 2013 - 00:01 - Cultura
  • Compartilhe

Literatura barata

Daniel Vilela lança seu primeiro e elogiado livro, nesta quinta-feira (28).

Por: Leonardo Vais

MÚSICA

Com R$ 5,00, você não "vai e volta" utilizando o sitema transcol de transporte. Também não paga um sanduíche acompanhado por um copo de suco e, muito menos, compra um ingresso de cinema em qualquer shopping da cidade. Mas com essa quantia você pode comprar um livro. Um não: dois. 

Isso mesmo. Na próxima quinta-feira, dia 28, os escritores Daniel Vilela e Leandro Reis lançam os livros Música de Mobília e Catamaran, que vão ser vendidos juntos por cinco reais, na clássica Rua Sete de Setembro, em frente ao Bar do Nei, no Centro de Vitória, a partir das 19 horas dentro da Coleção Cousa Nostra.

Formado em jornalismo, Daniel bateu um papo com o Sou ES, sobre novos formatos para textos literários e sobre as suas influências. Ele começou a escrever em 2009, quando publicou seus primeiros contos na revista Graciano - projeto de extensão do Departamento de Comunicação da Ufes – e na sequência foi contemplado com um edital que deu origem ao seu primeiro livro, o romance Música de Mobília.

O escritor definiu seu livro - que foi lançado em 2011 no formato e-book - como “um romance sobre tempos mortos, (que) se caracteriza por não se construir a partir das ações dos personagens”, e ainda indicou a trilha ideal para acompanhar o seu “sonoro” livro. Confira:

1. Sou ES: Você resume Música de mobília como “um romance sobre tempos mortos”. O que você quis dizer com essa afirmativa?
Daniel Vilela: Quando se diz "tempos mortos", digo a favor daqueles momentos em que não há uma ação. Em geral, se caracterizam sempre por um processo de espera ou de interligação entre duas ações, uma experiência tal qual esperar um ônibus ou ainda esperar que esse ônibus chegue ao lugar de destino. O “Música de Mobília”, por ser um romance sobre tempos mortos, se caracteriza por não se construir a partir das ações dos personagens, não há uma história com início, meio e fim para ser acompanhada. De alguma forma, há um fio narrativo que é construído tenuemente a partir das impressões das personagens, exigindo algum tipo de troca de experiências afetivas entre o livro e o leitor.


2. Sou ES: O livro “Música de mobília” foi lançado originalmente como um e-book. Existe alguma diferença no texto do formato impresso?

DV: O texto é idêntico a versão do e-book, não houve nenhuma alteração ou revisão posterior.

DANIEL3. Sou ES: Boa parte dos jovens autores usa o suporte virtual para difundir seus textos. Você acha que o livro físico tende a se tornar obsoleto?
DV: Creio que não, as traças ainda devem ter alguma importância no ecossistema. De qualquer forma, ainda que os suportes virtuais sejam mais rápidos e práticos para se difundir um texto, possibilitando que chegue a um maior número de pessoas, o livro ainda está condicionado a uma experiência de eternidade e creio que ainda é o método mais segura e eficaz de perpetuação e proteção da produção humana.

4. Sou ES: O livro foi produzido com o auxílio de um edital. Qual a importância deste tipo de incentivo para um jovem autor?
DV: Confesso uma coisa: eu não imaginei tão claramente que fosse publicar um livro algum dia. De alguma forma, a literatura ainda se apresenta de uma forma muito pessoal e íntima, creio que continue assim por algum tempo, e os editais soam como uma etapa importante, uma espécie de catalisador da atividade de escrever. Talvez seja possível que o Música de Mobília exista numa realidade paralela sem editais, mais creio que nessa, eles, e as pessoas envolvidas neles, foram determinantes para ele ter finalmente corpo celulóide.

5. Sou ES: Sua pesquisa acadêmica era sobre as políticas de imagem e de memória no cinema autoral contemporâneo chinês. E Paulo Sodré, na orelha do seu livro, afirma que você escreve “na tradição narrativa inaugurada por Virgínia Woolf”. Quais são as suas influências dentro e fora da literatura?
DV: Se eu compreendi um pouco o funcionamento de referências, acho melhor separá-las por aquelas que eu me deixei influenciar e por aquelas que me influenciaram sem que eu percebesse muito. Há em quem eu tenha procurado claramente abrigo como um ponto de segurança em meio ao processo quase traumático que é escrever um livro: isso vai desde a literatura, na qual eu acredito ter me refugiado um pouco em escritores com uma fala num tom menor, mais resignado, como o Ted Hughes ou o Carlo Emilio Gadda; um pouco pela música, no caso do Erik Satie, compositor impressionista que me forneceu o termo que dá título ao livro, Música de Mobília; ou pelo cinema, com Wong Kar-Wai e Carlos Reygadas. Mas, claro, tem uma expressão latina chamada amor fati que explica muito acerca das referências que surgiram no decorrer da produção, sem que fossem invocadas premeditadamente: daí vai de Cem Anos de Solidão, do Gabriel García Márquez, até um ícone meio estranho e obscuro da moda, a Little Edie, que conheci por meio de Grey Gardens. De qualquer forma, estão todos no livro, tão perdidos quanto eu.

6. Sou ES: Qual a música ideal para acompanhar a leitura de “Música de mobília”?
DV: Respondi as perguntas ouvindo Phoenix, creio que seja uma experiência agradável para leitura também.

Comentários

Nenhum comentário ainda.

Comentar

* = Preenchimento obrigatório