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02 JULHO 2013 - 14:20 - Esporte
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Vencemos a Fúria! E agora?

Depois de vencer a atual campeã do mundo, o desafio continua

Por: Acácio Rodrigues

Acácio Rodrigues

A saudade de ouvir o “é tetra” nem precisou ser suprida com um vídeo de recordação da Copa do Mundo de 1994. O chocolate aplicado na decisão da Copa das Confederações, no último domingo (30) contra a Espanha, relembrou a felicidade de poder colocar mais uma taça na ilustre galeria da seleção brasileira. A bela campanha do Brasil no torneio desse ano, somada à apresentação de gala no Maracanã contra os atuais campeões, foram suficientes para apontar ainda mais os anfitriões do Mundial de 2014 como franco favorito.

Mas antes de criar grandes expectativas, vale lembrar que o desafio foi lançado muito além de vencer a Espanha. Nunca o vencedor da Copa das Confederações ganhou o Mundial no ano seguinte. E agora, Brasil? O que deu certo, o que mudou, e o que ainda pode acontecer? Afinal, até pouco tempo você, seu amigo aí do lado, eu, a equipe do Sou ES... Ninguém acreditava que seria assim.

Fotos: Rafael Ribeiro/CBF

Final da Copa das Confederações 2013

Só quem teve momentos de glória nos gramados, e já atuou no templo do futebol chamado Maracanã, pode nos solucionar com propriedade as dúvidas e incertezas de quem ama o futebol.

Ex-goleiro do Rio Branco, recordista mundial com 1604 minutos jogados invicto debaixo das traves, Jorge Reis aposta na parceria entre Luiz Felipe Scolari e Carlos Alberto Parreira. Nada menos que os dois últimos campeões mundiais no comando da amarelinha.

“Ninguém esperava a goleada e o título sobre a Espanha. Endeusaram demais a seleção deles, e o brasileiro é passional. A seleção só teve um mês, mas foi um mês de continuidade no trabalho forte. Tem muita gente experiente na comissão técnica. Juntou o calmo Parreira com o irritado Felipão. E deu certo,” afirma o ex-goleiro dos três maiores clubes da Grande Vitória.

Jorge Reis não condena o trabalho de Mano Menezes, feito antes de Felipão. O ex-jogador já teve experiência como técnico, e sabe das dificuldades enfrentadas por quem assume o posto. No caso do atual treinador do Flamengo, Jorge retira qualquer responsabilidade pela demora na formação do grupo por parte de Mano Menezes.

“O Mano não teve o tempo certo de continuidade para trabalhar. Todas as vezes ele tinha pouco tempo para colocar em campo o que ele tinha em mente para o grupo convocado. O Felipão teve uma boa sequência, e o trabalho de bastidores foi fundamental,” salienta o ex-arqueiro.

Tática

Jorge Reis fez questão de frisar que a postura em campo é bem diferente. O estilo de jogo com um volante clássico, Luiz Gustavo, e outro moderno que sai para o jogo dá o ‘caldo’ necessário para o produto final que o mundo assistiu no último domingo (30).

“O esquema tático evoluiu. A marcação com dois grandes zagueiros, dois laterais que apoiam mas tem o reforço do primeiro volante, e a liberdade criada pra atacar. Só não pode agora deitar em berço esplêndido,” brincou.

Depois que fica verde já era

Hulk na decisão contra a Espanha

Contestado por muitos, desconhecido por quase todos, jamais desmotivado. O atacante Hulk teve participação importante durante a Copa das Confederações, e foi um dos pilares no setor direito da seleção. Pode não ter sido o super-herói do time de Felipão, mas soube usar seus poderes. Com visão de treinador, Jorge Reis discorda a escalação do paraibano. Mas destaca que o fator tático prevalece nessas horas.

“Pra mim, sinceramente, eu não gosto. Mas ele taticamente, principalmente na marcação no lado direito. O Daniel Alves conta muito com o Hulk nesse sentido, já que ele vai sempre evitar que o lateral do Barça tome bola nas costas,” disse Jorge Reis.

Pindamonhangabense oculto

Luiz Gustavo e Iniesta

Você teria convocado o Luiz Gustavo antes de vê-lo atuar na Copa das Confederações? Nem eu. Mas ele calou a boca de muita gente, sendo um dos atletas primordiais no esquema armado por Felipão e cia. O jogador, que é torcedor rubro-negro e foi reprovado no teste pelo Flamengo em 1999, teve uma trajetória diferente da que estamos acostumados a ver – na maioria das vezes -  com quem veste a amarelinha. De Alagoas para a Alemanha, pulou a etapa de atuar em um grande clube de seu país de origem. Jorge Reis descreve o atleta com a boca cheia para disparar elogios.

“Olha o Luiz Gustavo. Ninguém alardeou nada, a mídia o esqueceu. Ele foi crescendo naturalmente dentro do grupo, e é uma peça-chave na equipe. Ele jogou de primeiro volante, liberando o Paulinho. Consequentemente ele liberou o Oscar. Se eu te perguntar qual o melhor jogo do Oscar no torneio, você me diz que foi a final. Eu te explico: Ele subiu mais em função do marcador lá atrás que cobriu os espaços. Luiz Gustavo marca bem, passa bem, tem técnica e é inteligente,” afirmou Jorge Reis.

Bastidores

O ex-goleiro finalizou o bate-papo com o Sou ES citando a importância de bons profissionais além dos onze em campo. Pensando no Mundial de 2014, Jorge Reis vê com bons olhos o trabalho que está sendo feito na seleção brasileira, e acredita que o fator vestiário foi e continuará sendo um dos diferenciais desse conjunto de trabalho feito nesse último mês.

“Ninguém fala, mas nos bastidores essa equipe teve ótimo auxílio. Ontem vi uma entrevista do Fred falando sobre as conversas com o Parreira. Pô, são dois campeões, com larga experiência. No fim do jogo contra a Espanha, ele foi lá e puxou o Fred, depois o Júlio César. Aliás, o Júlio foi um dos responsáveis pela motivação do grupo. Tudo isso ajuda para que a equipe se saia bem dentro de campo. E com o Parreira, o Felipão ficou bem mais light,” finalizou o recordista mundial.

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