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20 NOVEMBRO 2017 00:00 Cidades
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Nova campanha combate assédio sexual dentro dos ônibus

Com o slogan “Só quem é mulher sabe”, a ação convida homens e mulheres a se engajarem no enfrentamento dessa prática que ocorre com frequência no sistema de transporte público

Por: Redação Sou ES

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Foto: Governo do ES

A partir do slogan “Só quem é mulher sabe”, o Governo do Estado lançou neste mês de novembro uma campanha especialmente voltada para o combate ao assédio sexual dentro de transportes coletivos, em especial, os do sistema Transcol. O objetivo da ação é convidar homens e mulheres para refletirem e combaterem os assédios registrados nos ônibus do Transcol, que transportam mais de 650 mil passageiros todos os dias.

Essa constatação se deu ao longo da produção da campanha, que identificou diversos depoimentos de mulheres que já foram assediadas, mas que, por constrangimento ou medo, não denunciaram seus agressores. O diretor presidente da Ceturb, Alex Mariano, lembrou que é preciso que as pessoas tenham empatia com as mulheres que sofrem assédio. “Temos que nos colocar no lugar do outro, como se fosse alguém de nossa família: esposa, filha, irmã, mãe. Dessa forma, estaremos nos empenhando para que esse tipo de atitude não aconteça mais”, disse.

Para a Emilly Marques Tenorio, representante da Coordenação do Fórum de Mulheres do Espírito Santo, as campanhas contra a violência são muito importantes, já que trazem visibilidade para o tema e denunciam que a opressão à mulher não é natural. “Porém mais importante é que, junto às campanhas, haja um investimento nas políticas sociais públicas de atendimento às mulheres que atualmente são insuficientes e precarizadas. Também nos preocupamos com a culpabilização da mulher, com os cartazes que circulam nos ônibus, dizendo ‘chega de assédio’, ‘denuncie’. Não basta a denúncia das mulheres, até porque isso ocorre após a violência já ter acontecido. Temos que fazer campanhas implicando os homens nesse processo e trabalho preventivo de base na educação”, afirma Emilly.

Segundo a secretária de Estado de Comunicação, Andréia Lopes, essa campanha dá prosseguimento à campanha de combate à violência contra a mulher, lançada há cerca de um mês. “É o governo trazendo uma mensagem do respeito, chamando a sociedade a vir junto e abraçar essa causa”, afirma.

Peças e ações

A campanha conta com uma série de peças de publicidade, elaboradas para circular em diferentes mídias. Na televisão, estão sendo veiculados três filmes, com depoimentos reais de quem passou por situações de assédio. Esses depoimentos também ganharam uma versão mais longa, que será divulgada na internet.

No interior dos veículos do Transcol, várias peças foram dispostas nas calhas de iluminação. Cartazes com o mesmo tema foram afixados no vidro atrás dos motoristas. Além disso, também foram afixadas publicidades do tipo backbus nos carros e cinco veículos receberam semienvelopamento para fazer a campanha circular nas vias de toda a Grande Vitória.

Foram ainda confeccionados banners, pôsteres e camisetas com gravuras sobre o tema, criadas por diversas artistas. Os banners e pôsteres serão instalados nos dez terminais de integração do Sistema Transcol. Há, ainda, um avatar para ser usado em fotos de perfil do Facebook, além de uma peça para ser usada na timeline da rede social. A campanha contará ainda com cards para o aplicativo Whatsapp e webbanners para divulgação nos onlines.

Além de todo o material gráfico educativo, Ceturb-GV, em parceria com o Sindicato das Empresas de Transporte (GVBus) e o Sest-Senat, oferecerá um treinamento especial para orientar os motoristas e cobradores sobre como agir quando ocorrerem casos de assédio sexual dentro de algum coletivo. O treinamento começa no dia 22 de novembro, no auditório do Sest/Senat, com a participação de 200 pessoas, entre motoristas, cobradores, fiscais dos terminais e instrutores de garagens. Também ficou decido que esse tema será incluído permanentemente na grade dos cursos de formação de motoristas, de forma que o treinamento passa a ser uma ação continua.

Pelo fim da violência contra a mulher

peça
Para fazer o download deste e de outros cartazes clique aqui.

Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o Espírito Santo foi o estado que registrou o maior número de feminicídios entre 2009 e 2011. Já no
Mapa da Violência 2015, o estado apresentou a segunda maior taxa de homicídios de mulheres (por 100 mil) e o município de Vitória registrou o maior índice entre as capitais. Essa violência se dá em diversas esferas e se manifesta não apenas em crimes hediondos, mas também em assédios e abusos que ocorrem diariamente.

Por isso, é de suma importância o investimento em políticas públicas para mulheres e de enfrentamento à violência de gênero. Um dos marcos da luta contra a violência à mulher no Brasil é a criação da Lei Federal 11.340/2006, mais conhecida como Lei Maria da Penha, que tornou mais rigorosas as punições em caso de agressões contra a mulher em ambiente familiar ou doméstico. Outro mecanismo importante é a Lei do Feminicídio, sancionada em 2015, que inclui o assassinato de mulheres em razão de gênero como um agravante do crime de homicídio.

A Central de Atendimento à Mulher, que atende pelo número 180, foi criada em 2005 e é também uma ferramenta importante nesta luta. As mulheres que desejam denunciar algum abuso sofrido ou presenciado podem e devem entrar em contato com essa Central de Atendimento. A ligação é gratuita e pode ser feita por qualquer telefone - móvel ou fixo, particular ou público. A ferramenta funciona 24 horas por dia, até mesmo nos feriados.

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